Insights de um Headhunter: Como está o Mercado?

Diariamente sou questionado: “como está o mercado?”

Poucos sabem, mas os Headhunters têm uma grande sensibilidade sobre as variações do mercado de trabalho.

Sentimos a crise bem antes de ser anunciada pela mídia: antes das empresas começarem as demissões, elas já pararam de contratar!

Por outro lado, também sentimos antes os sinais de melhoria do mercado: projetos sendo retomados, empresas voltando a se movimentar e a se preparar para novos ciclos de crescimento.

Felizmente, nesses últimos meses já estamos sentindo alguns desses sinais de melhoria: muitos processos seletivos foram retomados e empresas que estavam com suas posições estagnadas voltaram a contratar.

Entretanto, isso ainda não significa um pleno reaquecimento do mercado de trabalho, mas já é um excelente sinal, uma vez que demonstra que as expectativas estão voltando a ser positivas e projetos começam a sair da gaveta.

“Isso significa que tudo voltará ao normal depois que a crise passar?”

– NÃO –

Assim como a população de um país que passou por uma guerra se transforma culturalmente (por exemplo: Japão), acredito que as empresas (formadas por pessoas) que passaram por dificuldades também se transformam.

Toda crise implica em mudanças. Nesses últimos anos as organizações precisaram reinventar suas formas de atuação, de gestão e de organização. E toda evolução nesse sentido permanecerá.

Muitos dos empregos que foram eliminados não voltarão a existir, pois as estruturas internas foram otimizadas e estão dando resultados. Por outro lado, áreas antes menos valorizadas subiram no ranking de prioridade dos investimentos, como é o caso de Recursos Humanos.

O que posso afirmar com certeza é que nada será como antes, portanto as perguntas que deixo a você, meu caro leitor, são:

Você é um profissional do momento pré-crise ou pós-crise?

As repostas que você dá, os problemas que você soluciona, o valor que você adiciona são válidos para estruturas otimizadas e já “calejadas”? OU você apresenta mais do mesmo?

Os processos seletivos também mudaram muito.

As empresas se tornaram mais exigentes na hora de contratar: processos seletivos mais longos, maior insegurança para tomar decisões e preferência por caminhos mais seguros fazem parte da realidade nesses últimos anos.

As organizações estão continuamente adaptando seus processos seletivos, para contratar seus futuros colaboradores de acordo com as novas demandas do mercado (veja também O Futuro do Profissional de Finanças).

Para os profissionais que estão em busca de novas oportunidades, isso significa que as formas de se encontrar um novo emprego não são mais as mesmas.

Falando especificamente sobre estratégia para buscar emprego, o que dava certo no passado definitivamente já não é mais efetivo, mesmo em um mercado de trabalho em fase de retomada de seu crescimento.

Diariamente converso com diversos profissionais e ouço com frequência “já estou fazendo tudo o que posso”. Será?

Já estamos quase no final de 2016 e ainda vejo candidatos enviando CVs, dezenas deles, muitas vezes para as mesmas vagas, acessando os mesmos murais e as mesmas empresas.

Ainda vejo perfis de LinkedIn refletindo exatamente o conteúdo dos respectivos CVs, sem apresentar de maneira clara e objetiva os principais diferenciais de cada profissional.

Ainda vejo que “Fazer Networking” é um mistério…

Recebo diariamente centenas de candidaturas, mensagens e abordagens diretas por e-mail e pelo LinkedIn, mas ainda vejo muitos candidatos longe de terem a assertividade necessária para atingirem seus objetivos profissionais.

Com tanto conteúdo distribuído amplamente pelas redes, acredito que não deveriam existir motivos para não se posicionar de maneira clara, para ajudar o recrutador a escolher entre você e tantos outros que também se candidataram para a mesma vaga.

Essa discussão é tão batida e ao mesmo tempo tão necessária.

Conclusão:

Se a crise serviu como convite forçado para as empresas se repensarem, se redescobrirem, entenderem seus propósitos e valores para que fizesse sentido continuarem a existir…

Ela serviu da mesma forma para os profissionais colaboradores; serviu individualmente a cada um de nós como um chacoalhão, como uma bifurcação na estrada, na qual só continuaram a ter algum valor para o mercado aqueles que escolheram o lado do REPOSICIONAMENTO, do autoconhecimento, do “para que eu sirvo?” ou “que valor eu adiciono?” ou “para quê alguma empresa precisaria do que eu tenho a oferecer?”

E isso reflete DIRETAMENTE na sua exposição a um recrutador, na sua perfomance durante uma entrevista, no seu êxito em conseguir um novo emprego.

Na verdade é raro encontrar um profissional que não saiba o que deve ser feito.

Ter uma boa apresentação, estudar sobre a empresa, conhecer o segmento, entender o que está se passando, investigar sobre o entrevistador, não falar mal das últimas empresas… Posso listar uma série de recomendações que centenas de artigos já mencionaram nos últimos anos.

Entretanto, o maior segredo de qualquer receita não são seus ingredientes, mas sua forma de preparo: como, em que ordem e em qual quantidade utilizar os ingredientes.

O contato com a pessoa certa, sua apresentação adequada, sua entrevista bem estruturada, abrangendo os principais pontos de sua carreira, seus reais diferenciais, fazendo a pergunta certa, fugindo dos clichês e dos termos que os recrutadores estão cansados de ouvir, podem fazer a diferença!

Os melhores vendedores que conheço têm um ponto em comum: eles conhecem bem como funciona o processo de compra e adaptam seu discurso a cada interlocutor durante esse processo.

O profissional que busca um novo emprego tem que conhecer o processo de recrutamento e como cada um dos participantes influenciam a decisão final.

Como será a nova forma de conduzir um processo de recrutamento?

Pergunte a um recrutador.

Texto originalmente publicado no LinkedIn Pulse em setembro/2016

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